Desde Janeiro estamos dançando pelas ruas, fazendo festa e recebendo de braços abertos o carnaval. Caímos na folia como quem se apaixona perdidamente: de uma vez só e de todo coração. Usamos todas as nossas energias, voz, fantasias e emoções como se não houvesse amanhã. Durante o carnaval, o carnaval é infinito e ninguém fica pensando na Quarta-feira de cinzas.
Mas a quarta-feira de cinzas vem. Chega depressa só pra nos contrariar, sem às vezes nem perceber. Nos agarramos inutilmente aos restos de confete e serpentina no chão, mas com a consciência de que o carnaval chegou ao fim.
Assim também acontece com nossas grandes paixões. Mergulhamos de cabeça, dançando e cantando alto aquela música capaz de dar um não-sei-o-que-lá na gente. Sorrimos e celebramos porque, afinal, se apaixonar é o melhor dos carnavais.
A quarta-feira de cinzas chega para todo amor. Não quero dizer que os amores sempre acabam, mas a paixão efervescente que nos mantem pulando 24 horas por dia uma hora dá de cara com a realidade, e somos obrigados a enfrentar a rotina e a cumplicidade (que nada mais é que uma palavra bonita pro amor no dia-a-dia). Os trios elétricos saem das ruas e as pessoas guardam as fantasias no fundo do armário.
Talvez a quarta-feira de cinzas não seja um dia para ficar triste. Ainda que o carnaval dessas paixões acabe, nada nos impede de continuar a festa (e manter o sorriso no rosto). A música ainda podemos cantarolar na rua – com calma, pois ninguém está mais com pressa – e a dança continua na ponta do pé. Por que não encher nossos relacionamentos todos os dias com um pouquinho de carnaval-apaixonante?
No amor, quem decide quando parar a folia sou eu.







