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Mulher é um bicho teimoso, mas os homens também tem lá seus talentos de perseverança e paciência. Todo “não” que vem da boca de uma mulher, pra eles significa um “talvez”. Não adianta dizer que não quer, que tem namorado, marido e crianças pra criar. O típico cafajeste-paquerador não se deixa abalar por esses “detalhes”.

Verdade seja dita, nós mulheres também fazemos muito charme e acaba que vez ou outra recusamos o moço pra depois de um tempo cair de amores. Ou pelo menos uma paixonite. Talvez por esses exemplos, os homens decidiram que, na dúvida, é melhor persistir.

Felizmente existem aqueles persistentes apaixonados, que engajam a teimosia pra demonstrar que realmente gostam da gente, mas, ainda assim, a maioria dos homens só tem perseverança por achar que aquela moça, tão difícil e cheia de “não”, é um desafio. Quando o “não” vira um “sim”, acaba também o interesse. Nem sempre é fácil sabe distinguir entre um caso e outro.

Persistência demais cansa e até mesmo desrespeita. Quem nunca teve que ser rude pra dar um chega-pra-lá em um desses teimosos beijoqueiros? Quem nunca bloqueou um chato no Facebook? Atenção moços, meninos e homens feitos, por favor vamos ser persistentes com sabedoria. Persistência só é bom quando o “não” vira um “Eu te amo”.

Hoje não amor, estou com dor de cabeça. Ou dor de dente. Ou até mesmo dor no juízo, na alma ou é sono mesmo. Sou humana e sinto sono às vezes, desculpa.

Hoje não porque esqueci de depilar as pernas e a lingerie que faz eu me sentir a Julia Roberts está lavando, mas tenho vergonha de admitir porque a vida exige que sejamos 24h arrumadas, depiladas, cheirosas e de manicure feita. Fico com vergonha de admitir que boa parte do tempo eu sou só uma mulher normal que não tem paciência pra passar o gilete a cada 3 dias ou não tem dinheiro (nem forças e tempo) pra ir ao salão toda semana. Sou dessas que quando a perna não está lisinha, troco o vestidinho por uma calça jeans e finjo que estou com dor de cabeça pro namorado. Podem me julgar.

Hoje não amor, estou com dor de cabeça. Você pode até não ter percebido, mas hoje foi um dia de cão pra mim. Você também não percebeu quando falou bem daquela sua amiga loira-malhada e me deixou com ciúmes a noite inteira, e agora vem querer amor e aconchego. Hoje não, estou com dor de cabeça.

Sim, bem que eu podia ser sincera com você e falar o real motivo. Podia soltar um simples “Me deixa em paz” ou um “Me deixa dormir”, mas tenho esses súbitos de atitude masculina e conto uma mentirinha pra evitar maiores explicações. Vocês que são homens vão entender direitinho.

Tem vezes que nem é nada, só a minha TPM atacando e estou fazendo um favor a sua saúde física quando peço pra você manter distância. Mulher na TPM morde! Sem pena.

Hoje não. Quem sabe amanhã.

A primeira novidade é que essa blogueira que vos fala anda agora viajando pela Índia. Depois do frio na Rússia, vim passear de elefante e experimentar um curryzinho aqui na terra de Gandhi.

A segunda novidade é que interagir, conversar e tentar compreender os indianos me fez repensar o nosso (e o meu) preconceito contra casamento arranjado, coisa que acontece aqui desse lado do oceano, mas no Brasil é considerado um absurdo sem tamanho. Se não podemos escolher quem amar pra toda vida, então o que nos resta?

Conversando com indianos e indianas, não é bem assim. A lógica deles é de que nossos pais de longe são as pessoas que mais nos amam no mundo e querem a nossa felicidade, portanto, quem melhor para escolher um bom partido? Na filosofia dos indianos, casamento não é feito de amor à primeira vista, casamento é algo construído e trabalhado. A Índia é o país com a menor taxa de divórcio do mundo (em parte porque imagine a dor de cabeça que deve ser pra uma mulher divorciada enfrentar uma sociedade tão tradicional como a indiana).

Não estou dizendo que casamento arranjado é bonito ou feio, certamente continuo não apoiando, mas digo também – sem medo – de que o que fazemos na América e no Brasil também não vai lá muito bem das pernas. Casamento está sendo considerado uma instituição falida, fácil de casar, ainda mais fácil de pegar as trouxas e pular fora. Essa facilidade de vai-e-vem acaba descontruindo o amor e as pessoas no menor terremoto desistem de tentar de fazer parte um do outro. Porque ninguém é perfeito, nem no Brasil, nem na Índia.

Podemos fazer careta pro casamento arranjado, pobres noivas que às vezes só conhecem seus maridos no dia da cerimônia, mas podemos também tirar uma lição disso e colocar um pouco mais de esforço, simplicidade e amor verdadeiro nas uniões que insistimos em selar.

Desde Janeiro estamos dançando pelas ruas, fazendo festa e recebendo de braços abertos o carnaval. Caímos na folia como quem se apaixona perdidamente: de uma vez só e de todo coração.  Usamos todas as nossas energias, voz, fantasias e emoções como se não houvesse amanhã. Durante o carnaval, o carnaval é infinito e ninguém fica pensando na Quarta-feira de cinzas.

Mas a quarta-feira de cinzas vem. Chega depressa só pra nos contrariar, sem às vezes nem perceber. Nos agarramos inutilmente aos restos de confete e serpentina no chão, mas com a consciência de que o carnaval chegou ao fim.

Assim também acontece com nossas grandes paixões. Mergulhamos de cabeça,  dançando e cantando alto aquela música capaz de dar um não-sei-o-que-lá na gente. Sorrimos e celebramos porque, afinal, se apaixonar é o melhor dos carnavais.

A quarta-feira de cinzas chega para todo amor. Não quero dizer que os amores sempre acabam, mas a paixão efervescente que nos mantem pulando 24 horas por dia uma hora dá de cara com a realidade, e somos obrigados a enfrentar a rotina e a cumplicidade (que nada mais é que uma palavra bonita pro amor no dia-a-dia). Os trios elétricos saem das ruas e as pessoas guardam as fantasias no fundo do armário.

Talvez a quarta-feira de cinzas não seja um dia para ficar triste. Ainda que o carnaval dessas paixões acabe, nada nos impede de continuar a festa (e manter o sorriso no rosto). A música ainda podemos cantarolar na rua – com calma, pois ninguém está mais com pressa – e a dança continua na ponta do pé.  Por que não encher nossos relacionamentos todos os dias com um pouquinho de carnaval-apaixonante?

No amor, quem decide quando parar a folia sou eu.

Esquecer não é fácil, não mesmo. Se um dia você já precisou esquecer alguém, você sabe que é como tentar arrancar diariamente um pouquinho de dentro de você. É como tentar sobreviver com um pedaço a menos de seus pensamentos, coração; um pedaço a menos de sua rotina, um tiquinho a menos de você mesmo.

Esquecer alguém é uma batalha interna e se você ainda não passou por isso, eu sinto muito lhe dizer, mas sua hora ainda vai chegar.

Existe, no entanto, algo mais difícil ainda que esquecer alguém: querer esquecer alguém.

Quem nunca teve que dar um tapa de realidade naquela sua amiga apaixonada ou quem nunca teve que receber um tapa de realidade porque estava tão perdida em seus próprios sentimentos que ficou incapaz de enxergar um palmo diante do nariz?

Em outras palavras, sabemos muito bem quando é bom pra gente virar a página ou não. Não que seja mais fácil mas ajuda a colocar a cabeça no lugar saber que aquele ex que você não consegue esquecer é um cafajeste.

Difícil, difícil mesmo, é esquecer quem você gostaria de manter em seus pensamentos pra sempre. Difícil é esquecer quem te fez tão bem, quem te trouxe tão bons momentos, mas – por um motivo ou outro – você não vai poder ter pra sempre. Como querer expulsar um sentimento tão bom? Se ao menos ele fosse um canalha-sem-vergonha…

O tempo faz milagres, mas a gente precisa ajudar e saber identificar quando chegou a hora de seguir em frente, mesmo quando parece que não. Vamos ser espertas e manter as boas lembranças, mas sem ficarmos estagnadas no passado.